Brasília, 12 de novembro de
2009 – O consórcio francês Rafale
International, formado pelas empresas Dassault Aviation,
Snecma e Thales, realizou coletiva na tarde desta
quinta feira para esclarecer à opinião
pública informações que não
correspondem à realidade e que têm sido
divulgadas nas últimas semanas sobre a proposta
francesa no FX-2, processo de escolha do Governo Brasileiro
para aquisição das novas aeronaves de
combate da FAB.
O consórcio Rafale International,
em respeito ao processo de escolha realizado pela
FAB, que desde o seu início é transparente
e criterioso, esclarece que:
Sobre o preço ofertado, respeita
o termo de confidencialidade que foi assinado com
a FAB, o que deveria ter sido feito também
pelos outros concorrentes.
Foram divulgadas informações
de que a proposta do Rafale seria 40% mais cara que
a do F-18. Esta afirmação não
tem fundamento. O consórcio garante que o valor
oferecido ao Governo Brasileiro para aquisição
do Rafale é compatível com o valor de
outras aeronaves da mesma classe, sendo que a França
oferece total garantia de transferência de tecnologia
(já aprovada pelo governo francês) e
um caça que está em início de
vida operacional, já com capacidade operacional
comprovada em combate e com mais de 30 anos de expectativa
de operação.
Representantes da SAAB dizem que o
Gripen custa a metade do valor do Rafale. Causa estranheza
esta afirmação, uma vez que o valor
do Rafale não é de conhecimento público.
Mais do que isso, não é correto comparar
valores de caças de classes diferentes.
Ainda assim, é possível
fazer algumas ponderações que colocam
por terra esta afirmação da empresa
sueca:
- O Gripen é um monomotor da
classe do Mirage 2000, portanto de classe diferente
do Rafale, seu sucessor. O Rafale é um bimotor,
que traz mais segurança e capacidade operacional
superior.
- A depender da missão, são
necessários dois Mirage 2000 para executar
a missão de um Rafale, conforme experiência
da Força Aérea Francesa. Então,
para ter o mesmo poder aéreo, o comprador deveria
adquirir o dobro de caças desta classe.
- E o mais importante: em função
de estar em fase inicial de projeto (é apenas
um demonstrador de conceito), o custo final do desenvolvimento
do Gripen NG é totalmente desconhecido, podendo
se tornar um verdadeiro “saco sem fundo”.
Alguns países que fecharam negócios
semelhantes no passado acabaram por desistir do projeto
após centenas de milhões de dólares
de investimento, como ocorreu com o Japão e
Israel com aeronaves que incorporavam tecnologias
dos próprios países e norte-americanas.
Noruega e Dinamarca, nações
economicamente sólidas e parceiras históricas
da Suécia, não quiseram assumir o risco
financeiro do projeto do Gripen NG. Além do
risco de custo, existe risco elevado quanto ao prazo
de entrega. No caso do Rafale, o custo de produção
está estabilizado. Não há risco
quanto ao custo e prazo.
Sobre mercado de aeronaves de combate,
concorrentes e críticos dizem que o Rafale
nunca foi vendido ao exterior. É preciso ressaltar
que não se vende uma aeronave de combate antes
que esteja em operação na Força
Aérea do país de origem. Como o Rafale
entrou em operação em 2006 na Força
Aérea Francesa, o consórcio Rafale leva
em conta efetivamente as concorrências após
este período e reafirma a certeza de que o
Rafale será um produto de sucesso, a exemplo
de todos os caças desenvolvidos pela Dassault,
entre eles os Mirage.
O Rafale venceu tecnicamente algumas
concorrências, como no caso da Coréia
do Sul, quando os Estados Unidos pressionaram os sul-coreanos
para que optassem por um caça norte-americano,
considerando o alinhamento das posições
em relação à Coréia do
Norte. A decisão foi tomada por razões
estratégicas.
O consórcio Rafale International
já em fase de formatação de contrato
nos Emirados Árabes Unidos. Na Índia
o Rafale está em fase de testes. O Rafale está
também na concorrência da Suíça.
Outros países como Qatar, Kuwait e Malásia
manifestaram interesse pelo Rafale.
Sobre a origem de componentes e tecnologias:
todas as tecnologias do Rafale são 100% francesas
e o consórcio Rafale International não
precisa de autorização de nenhum país
para comercializá-las.
É necessário esclarecer
que componentes não são a mesma coisa
que tecnologias. No caso de componentes, são
mais de 100 mil em um caça. Há sim componentes
de outros países no Rafale, como também
nos outros dois concorrentes; no caso do Rafale, eles
foram selecionados por razões econômicas
e todos podem ser substituídos.
É importante salientar que
uma parte do Gripen é norte-americana, em especial
a sua turbina, como os próprios suecos gostam
de ressaltar em sua publicidade em outras concorrências
pelo mundo, o que talvez explique a campanha em conjunto
que SAAB e Boeing fazem contra o Rafale.
Sobre transferência de tecnologia,
o consórcio Rafale International reforça
o que a proposta do Rafale prevê transferência
irrestrita e já aprovada de tecnologia, inclusive
as críticas, ao Brasil. O programa de cooperação
industrial da proposta francesa é bem fundamentado,
com acordos assinados com 39 empresas para 68 projetos
e parcerias com a Universidade Federal do Rio de Janeiro
e o ITA.
Seguindo a legislação
francesa, a autorização de transferência
de tecnologia foi concedida pelo poder executivo francês
antes do Rafale entrar na disputa e não depende
mais de nenhuma nova autorização, ao
contrário dos EUA, onde há a necessidade
de aprovação pelo poder legislativo
norte-americano. A autorização do Congresso
dos EUA que vem sendo divulgada é uma pré-autorização,
que ainda será revista, podendo haver vetos,
por ocasião das revisões periódicas,
como aconteceu na venda dos mísseis do F-16
ao Chile. Não há conhecimento sobre
como as restrições norte-americanas
podem afetar a transferência de tecnologia do
Gripen.
Vale ressaltar, que nesse projeto
específico, devido à parceria estratégica
existente entre o Brasil e a França, a oferta
do Rafale incorpora uma transferência de tecnologia
crítica em uma dimensão inédita.
As seis primeiras aeronaves deverão
ser construídas na França, com participação
brasileira, para garantir aprendizado à indústria
e entrega rápida dos primeiros caças
à FAB. Os demais 30 caças serão
montados no Brasil, com a produção de
peças sendo transferida gradativamente à
indústria brasileira, chegando a 50% na trigésima
sexta aeronave e com certeza de aumentar caso o Brasil
amplie o programa.
O consórcio do Rafale destaca,
ainda, o elemento mais importante associado à
proposta francesa: é a única que dá
garantia de compra de no mínimo 10 unidades
da aeronave KC-390, da Embraer, a maior já
desenvolvida no Brasil, em compromisso já firmado
pelo Governo Francês. Além disso, o consórcio
Rafale International se compromete a ser parceiro
para desenvolver o KC-390 junto com a Embraer, transferindo
ainda outras tecnologias críticas. A parceria
contribuirá significativamente para o sucesso
desse projeto e geração adicional de
empregos.
A
iniciativa destes esclarecimentos está fundamentada
no profundo respeito à opinião pública
e à imprensa brasileira, que merecem receber
informações fidedignas sobre este importante
assunto de interesse nacional.