Ordem
do Dia alusiva ao
Dia da Aviação de Caça
2009
O dia 22 de
abril de 1945 é uma data emblemática
para a Força Aérea Brasileira,
pois marcou o ápice da campanha do
1º Grupo de Aviação de
Caça no Teatro de Operações
europeu.
Em abril de
1945, a forte ofensiva aliada contra as tropas
alemãs contou com a contundente participação
do Esquadrão Senta a Púa. Em
um único dia, essa valorosa unidade
aérea realizou 44 surtidas, mesmo contando
com um número reduzido de pilotos,
que se revezavam incansavelmente para alcançar
seus objetivos e cumprir suas missões.
Não
obstante a oposição da pesadíssima
flak germânica, os heróicos Jamboks
interditaram pontes, destruíram instalações
militares e arrasaram as linhas de suprimentos
do Exército alemão. Naquele
dia 22 de abril, o 1º Grupo de Aviação
de Caça contribuiu, decisivamente,
para o rompimento das linhas inimigas, acelerando
o final do conflito no Mediterrâneo.
Foi, sem sombra
de dúvida, uma grande proeza para os
oficiais, sargentos e praças que compunham,
então, aquela destemida Unidade Aérea.
Mas, acima de tudo, essa foi uma façanha
sem igual para a mais jovem das nossas Forças
Armadas: a Força Aérea Brasileira.
Cabe-nos recordar,
neste momento de exultação,
que a arma aérea como Força
independente era, à época, um
conceito de vanguarda que contrariava a doutrina
então estabelecida.
Criar o Ministério
da Aeronáutica, em 1941, foi uma batalha
ideológica e um arrojado esforço
para os pioneiros da aviação
militar nacional, que dispunham de poucas
aeronaves de treinamento e muito entusiasmo.
Mais do que
isso, instituir a nova Força e igualmente
preparar uma unidade de caça para combater
um inimigo desconhecido em terras distantes,
em apenas nove meses, foi um feito fora do
comum.
A criação
do 1º Grupo de Aviação
de Caça, em 18 dezembro de 1943, foi
o prólogo de uma narrativa coberta
de determinação e glória.
A recém criada unidade de caça,
liderada pelo Major Aviador Nero Moura, partiu
para a América do Norte, logo em janeiro
de 44, com 20 oficiais e 12 sargentos para
o treinamento inicial de táticas e
técnicas de guerra aérea.
Primeiramente,
em Aguadulce com as aeronaves P-40; depois,
em Suffolk, veio o primeiro contato com o
“Trator Voador”. Ritmo acelerado;
trabalho duro. Alguns meses mais tarde, em
outubro, os Jambocks chegam à Tarquínia
e iniciam o seu batismo de fogo. Dessa feita,
398 homens e mulheres – aviadores, mecânicos,
intendentes, médicos, enfermeiras e
cozinheiros – todos unidos pelo mesmo
ideal de defender a democracia e honrar a
Pátria amada.
Depois da
estada em Tarquínia, os Jambocks foram
para Pisa experimentar a maturidade operacional.
Bem mais próxima da linha de frente,
a operação a partir desse estratégico
aeródromo proporcionava aos pilotos
das esquadrilhas Vermelha, Amarela, Azul e
Verde maior tempo sobre território
hostil e engajamentos mais acirrados contra
“a flak de 40 dos tedescos”.
Ao longo dos
últimos meses da guerra, o tricentésimo
qüinquagésimo Grupo de Caça
norte-americano (350th Fighter Group), do
qual fazia parte o “Senta a Púa”,
impulsionado pelo lema “Audácia
e Vigor”, atuou de forma marcante para
a derrocada do Exército alemão
no Norte da Itália. Tais feitos exigiram,
entre outros atributos, coragem para enfrentar
a antiaérea inimiga e perseverança
para atacar por diversas vezes os mesmos alvos
até que a vitória fosse assegurada.
Maio de 1945
foi o epílogo dessa memorável
biografia de 2550 missões de guerra,
e o início de um novo episódio
na vida da Força Aérea Brasileira,
porquanto chegara o momento de organizar e
desenvolver a nossa Aviação
de Caça. De volta ao Brasil, os veteranos
promoveram uma verdadeira transformação
doutrinária na Força Aérea
e implantaram o Estágio de Seleção
de Pilotos de Caça, gênese dos
Esquadrões Pacau e Joker que, mais
tarde, tornaram-se os berços de nossos
pilotos de combate.
Desde o retorno
do velho Avestruz que foi à guerra
até a ativação da mais
jovem unidade aérea de caça
– o Esquadrão Flecha - a Aviação
de Caça cresceu e hoje emprega vetores
modernos e sofisticados com o mesmo profissionalismo
e dedicação demonstrados nos
céus da Itália.
O sangue derramado
pelos pilotos naquela Guerra, representado
pelo fundo vermelho da célebre bolacha
do 1º Grupo de Aviação
de Caça, não foi em vão.
Na verdade, o legado e os ensinamentos desses
heróis produziram inúmeras gerações
de pilotos de combate e ajudaram a moldar
a identidade da Força Aérea
Brasileira.
Agora, quando
discutimos o futuro do Poder Militar Aeroespacial,
devemos nos espelhar nos exemplos de bravura
e determinação do então
Tenente Coronel Nero Moura e de seus comandados
para escrever a mesma história de sucesso
obtida pelo 1º Grupo de Aviação
de Caça nos céus da Itália.
Senta a Púa,
Jambock!
Ten
Brig Ar JOÃO MANOEL SANDIM DE REZENDE
Comandante do Comando-Geral de Operações
Aéreas