Venezuela
Chávez
vai à Rússia estreitar cooperação
Moscou,
9 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
chega hoje à Rússia com o objetivo de
promover a cooperação energética
e militar entre os dois países, mas não
assinará contratos de compra de armamentos,
informou o Kremlin.
"Preparamos
um pacote com dez acordos sobre cooperação
financeira, política, energética e militar,
e também para a realização de
projetos de infraestrutura", disse Serguei Prikhodko,
assessor da Presidência russa.
Em
sua oitava viagem ao país, Chávez se
reunirá na quinta-feira com o presidente russo,
Dmitri Medvedev, na residência de campo de Barvija,
nos arredores de Moscou, após a cerimônia
de assinatura dos acordos.
Apesar
de ter deixado claro que os dois países não
discutirão a compra de armas, o assessor de
Medvedev afirmou que Moscou não descarta a
possibilidade de ajudar a Venezuela a comprar armamentos,
já que nos últimos anos a nação
latino-americana se tornou o maior cliente da indústria
militar russa.
"Na
atual conjuntura econômica, (essa ajuda) não
seria fácil, mas a possibilidade não
está descartada", declarou o funcionário.
Em
setembro de 2008, o primeiro-ministro russo, Vladimir
Putin, com quem Chávez vai se encontrar amanhã
na sede do Executivo, prometeu ao líder venezuelano
novas remessas de armamento e um empréstimo
de US$ 1 bilhão.
Chávez
chegou a dizer, em agosto deste ano, que a Venezuela
se sentia obrigada a reforçar seu poderio militar
com tanques, blindados e plataformas de lançamento
de mísseis russos, diante da iminente ameaça
dos Estados Unidos, que utilizarão sete bases
militares na vizinha Colômbia.
Entre
as prioridades venezuelanas, segundo fontes da indústria
militar russa, estariam os tanques T-72 e T-90, que
substituiriam os franceses MX-30 e já foram
adquiridos por mais de 30 países, entre estes
Irã e Síria.
A
imprensa russa também informou que a Venezuela
está interessada em submarinos elétricos
e a diesel do tipo Varshavianka (Kilo, na classificação
da Organização do Tratado do Atlântico
Norte - Otan) e dos sistemas de defesa antiaérea
Tor-M1, os mesmos que Teerã comprou há
cerca de quatro anos.
Entre
2005 e 2007, a Venezuela se comprometeu a comprar
o equivalente a mais de US$ 4,4 bilhões em
armamentos russos, com o que negociou a aquisição
de 24 caças-bombardeiros Sukhoi-30MK2, 50 helicópteros
de diferentes modelos e 100 mil fuzis Kalashnikov
AK-103.
Prikhodko
também adiantou que serão assinados
convênios sobre defesa da propriedade intelectual,
cooperação tecnológica e militar,
proteção mútua de informações
secretas e parcerias entre as Forças Armadas
de ambos os países.
Ainda
segundo o funcionário, será firmado
um memorando entre a companhia russa Transneft, que
detém o monopólio dos oleodutos, e a
estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).
Juntas, as empresas vão explorar, na Venzuela,
um dos campos da faixa de Orinoco, a maior reserva
petrolífera do mundo.
No
Fórum de Negócios Rússia-Venezuela,
realizado hoje em Moscou, o vice-primeiro-ministro
russo, Igor Sechin, demonstrou sua confiança
na criação de um consórcio petroleiro
nacional, unindo as companhias de ambos os países
para extrair petróleo cru em território
venezuelano.
"Esperamos
que a parceria comece a funcionar antes do final deste
ano", disse Sechin, que estima um investimento
de US$ 30 bilhões durante 25 anos, quantia
prevista para a exploração da jazida
de Junin-6 e a construção de infraestruturas
no delta do Orinoco.
Sechin
também disse que a visita de Chávez
é "a confirmação da confiança
existente entre ambos os países", e que
a Rússia tem interesse em estreitar as relações
com um dos líderes da América Latina.
Já
o ministro de Energia e Petróleo da Venezuela,
Rafael Ramírez, reafirmou que Caracas deseja
criar uma aliança entre o complexo industrial
russo e o potencial econômico venezuelano.
Na
próxima quinta-feira, Chávez viaja a
Madri, onde se reunirá com o presidente do
Governo espanhol, José Luis Rodríguez
Zapatero, na última escala da viagem que já
o levou a Irã, Síria, Líbia,
Argélia, Turcomenistão, Itália
e Belarus.