Patrulha de Reconhecimento com as Forças de Paz da Bolívia no Haiti
Reportagem - Kaiser Konrad - Enviado especial ao Haiti

Porto Príncipe – Haiti
Campo Charlie
Base da Companhia Boliviana


São 15 horas da tarde. Apresento-me na base da Companhia de Infantaria Motorizada de Força de Paz do Exército da Bolívia. A tropa está pronta para mais uma saída. Como força reserva da MINUSTAH os bolivianos têm de estar preparados para executar qualquer tipo de missão.

A de hoje será uma patrulha de reconhecimento na área da Penitenciária, local que passou a ser vigiado em rodízio pelas forças de paz desde que uma fuga em massa devolveu às ruas a maioria dos criminosos presos no primeiro ano da missão. Em uma semana a tropa boliviana vai substituir um destacamento de Fuzileiros Navais e assumir a segurança da área, fechando a rua com seus blindados Urutu da mesma forma que os brasileiros estão fazendo com o Mowag Piranha.

O 2º Tenente de Cavalaria Gustavo Aguirre Gulante me passa o briefing da patrulha, instruções e equipamentos de segurança. Os militares estão armados com fuzis israelenses Galil calibre 5.56. Entramos numa viatura Mazda e seguimos para o portão onde são feitas as verificações de praxe: informação da freqüência de rádio, identificação dos motoristas, ocupantes, número de “espartanos” – militares – e zona de ação da patrulha.

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Na nossa retaguarda segue um caminhão com uma dezena de militares. Saímos da base. Agora tudo é real. Embora seja uma patrulha de reconhecimento, os militares poderão ser deslocados em apoio às tropas de outros contingentes ou se notarem alguma anormalidade, agir de forma contundente.

As duas viaturas seguem com atenção. Na traseira da Mazda um dos militares permanece vigilante e atento a qualquer situação diferente. Com o avanço no processo de pacificação, as patrulhas motorizadas com veículos civis adaptados ao uso militar tornaram-se mais comuns.

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Atravessamos as principais avenidas da cidade, passamos por Bel Air, o primeiro bairro pacificado pelas forças brasileiras, nos encontramos com militares de outros países, momento que sempre acontece um tímido, porém cortês cumprimento. Passamos pelo Palácio Nacional e enfim chegamos à Penitenciária. Vemos os Fuzileiros Navais do Brasil com seus blindados Mowag Piranha estacionados e a postos.

Durante toda a patrulha eu converso com o Ten Aguirre. Esse jovem oficial de Cavalaria formou-se em 2006 na Academia Militar das Agulhas Negras. Ele me conta sobre as boas lembranças que trouxe e os amigos que fez no Brasil. Também fala sobre a importância de estar na missão do Haiti e o que essa experiência agregará a ele como profissional.
Foto 3

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No retorno à base a viatura do comandante da companhia boliviana passa por nós. O Ten Cel Laredo acena e passa à vanguarda do comboio. Minutos depois entramos no Campo Charlie. Ao se aproximar da base um pelotão entra em forma e saúda a chegada do seu comandante. A missão deste dia havia chegado ao fim.

Já dentro da base recebo os cumprimentos do Ten Cel Laredo. Reúno o efetivo que participou da patrulha para uma última foto. Sinto-me obrigado a dar um breve discurso. Entre outras palavras agradeço a atenção e o privilégio por Defesanet ter sido o primeiro veículo de comunicação a acompanhá-los em ação no Haiti. Também falo sobre a importância que esta reportagem vai ter nos meios militares brasileiros. O que recebo depois eu não esperava: um caloroso e espontâneo abraço e um muchas gracias de cada um dos treze militares bolivianos que me acompanharam nessa missão real pelas ruas de Porto Príncipe


Assista em vídeo esta patrulha:
http://www.defesanet.com.br/01_lz/haiti5anos/03_videos_03.htm

 

 

 
 
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