Peças estrangeiras não prejudicam
proposta do Rafale, diz França
Rodrigo
Viga Gaier
RIO DE JANEIRO
(Reuters) - O ministro da Defesa francês,
Hervé Morin, disse nesta terça-feira
que a presença de componentes estrangeiros
nos aviões Rafale não comprometerá
a transferência de tecnologia ao Brasil
caso a proposta da França seja a vencedora
na licitação da Força Aérea
Brasileira (FAB) para compra de novos caças.
Em entrevista na sede do Consulado da França
no Rio de Janeiro, o ministro garantiu que esses
componentes "importados" não
serão um obstáculo para a proposta
francesa apresentada à FAB, que considera
fundamental a transferência tecnológica.
"Isso não é um problema.
Todos os equipamentos do mundo têm pequenos
componentes de outros países. São
tijolinhos tecnológicos, pequenos detalhes.
Quando se fala em transferência de tecnologia
e parceria tecnológica, para nós
não é problema", afirmou
Morin.
A francesa Dassault, com o Rafale, a norte-americana
Boeing, com o F-18 Super Hornet, e a sueca Saab,
com o Gripen NG, disputam o contrato para a
venda de 36 caças de multiemprego à
FAB.
Além de considerar os caças franceses
superiores aos da Boeing e da Saab, o ministro
destacou a boa relação política
entre o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e o presidente francês, Nicolas
Sarkozy, e a afinidade de ambos os países
nas discussões internacionais.
"O nosso é o melhor avião.
Nós temos todo o conjunto. Temos uma
parceria política, propomos uma parceria
industrial e tecnológica e é melhor
quando você olha a capacidade operacional",
disse.
Morin se reuniu nesta terça-feira com
o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que afirmou
que a escolha da proposta vencedora vai levar
em conta, além da questão política,
os critérios operacional, transferência
de tecnologia, capacitação industrial
e preço.
"O critério político vamos
analisar... (há uma pressão) muito
grande dos três, do presidente Obama,
Sarkozy e da administração sueca.
Isso é normal. É interesse de
Estado", disse Jobim.
Morin provocou o concorrente sueco ao ser questionado
sobre o preço do caça francês,
que seria o dobro do valor ofertado pela Saab.
"O nosso avião está voando
e o deles não", afirmou ele, destacando
que os caças Rafale já são
utilizados pela Força Aérea francesa,
enquanto os caças Gripen NG estão
em fase experimental.
O ministro francês acrescentou que se
o Brasil optar pela compra dos caças
Rafale, o projeto de aprimoramento armamentista
previsto para o modelo poderá ser desenvolvido
em parceira com o país.
Morin encerrou no Rio um tour pela América
Latina que contou com passagens por Chile e
Argentina. Ele e Jobim sobrevoaram o Rio de
Janeiro para conhecer as instalações
onde serão construídos os submarinos
de uma parceria estratégica entre os
dois países.
Os acordos já firmados com o Brasil e
uma eventual vitória na licitação
para compra de caças poderiam, segundo
Morin, transformar o país em uma espécie
de base industrial militar para atender as demandas
de outros países da América Latina.
"Os chilenos e os argentinos ficaram interessados
nessa parceria entre Brasil e França.
A parceria estratégica com o Brasil interessa
muito a todos os países da América
Latina."